TESTEMUNHO: Relacionamento e cura

Eu cresci na igreja e, embora Cristo esteja na minha essência, eu questiono muitas coisas e acho que Ele deve me achar um pouco rebelde tipo "pq essa garota não faz o que ela sabe que tem que ser feito ao invés de ficar me enchendo com tantas perguntas?" rs
Em resumo, não tenho uma intimidade tão grande com Ele como eu gostaria e deveria, mas existem 2 fatos na minha vida em que ficou tão claro pra mim a intervenção Dele que mesmo com meus altos e baixos na fé eu tento sempre me lembrar que Ele vive e que até nas situações sem expectativa de solução, para Deus nada é impossível. Hoje vou contar uma dessas experiências e depois, num outro post, conto a outra.

Vou começar pela minha história com o pai da minha filha pois já recebi muitaaaaas mensagens me perguntando várias coisas sobre isso. Vou tentar ser sucinta pois meu objetivo aqui não é expor ninguém, e sim a minha experiência pessoal com Deus.

Bem... Eu fui mãe aos 23 anos e o pai da minha filha tinha 20. Entre idas e vindas, tínhamos 2 anos de namoro quando eu engravidei. Depois do choque da gravidez não planejada, tudo até que ia bem, na medida do possível. 



Tem gente que acha que filho segura a relação, mas no nosso caso foi o contrário. Éramos muito jovens e aquela situação exigiu de mim uma maturidade que eu ainda não tinha, mas que tive que adquirir na marra. Já ele, mesmo depois do nascimento da Laura, não se enxergava muito na posição de pai e não conseguia abrir mão de outras coisas que, naquele momento, não eram prudentes. Tivemos muitos desentendimentos, muitos problemas relacionados à terceiros ("terceirAs" para ser mais exata rs) e depois de muita insistência e de muito fechar os olhos para o que estava bem na minha frente e "fingir de besta pra viver", nosso relacionamento acabou chegando ao fim quando Laura estava prestes a completar 2 anos. Eu sofri muito! Me ver ali naquela situação, com uma criança nos braços e sozinha era desesperador e sufocante! Só Deus sabe o que eu passei, porque nem para minha mãe e nem para minhas amigas mais próximas eu falava tudo que estava acontecendo (eu e minha mania de guardar as coisas por não querer incomodar ninguém com meus problemas).

Depois de separados o pai da minha filha ficou bem ausente. Marcava de visitar a Laura e simplesmente não aparecia, deixava ela esperando. Quando ia eram visitas super rápidas e superficiais. Além disso, ele permitiu certas atitudes de "terceirAs" e me expôs de uma forma tão cruel que eu tinha pavor até de sair na rua. (Como já disse, não vou entrar tanto em detalhes para não expor ninguém.) Em resumo, fiquei muito decepcionada com as atitudes dele e, com todo o sofrimento que já vinha passando, me revoltei e entrei na justiça. Minha ação era por pensão e danos morais. Queria que doesse no bolso dele já que no coração ele era inatingível (mesmo quando se tratava da nossa filha). Sabe aquela expressão "sangue nos ói"? Era eu. Hoje sinto vergonha de ter me deixado levar por uma coisa tão ruim como a vingança.  Porque confesso, naquele momento esse era o meu objetivo: me vingar. Talvez, se eu conseguisse me abrir para as pessoas certas, teria sido aconselhada e não teria feito isso, mas fiz.

O processo se estendeu por mais de um ano. Foram meses e meses de muita angústia e muita vontade de fazê-lo pagar por todo o mal que ele nos fez e permitiu que "terceirAs" fizesse também.
Uma certa noite, estava na minha cama chorando como já era de costume, quando minha amiga Luisa que é muito querida e iluminada e que eu não falava há algum tempo e não sabia de nada me enviou a seguinte mensagem:

"Maria! Como você está? Tenho pensado muito em você e Deus tocou no meu coração agora para te enviar essa palavra. Não sei o que você está passando, não sei o que Ele quer te dizer com isso, mas já que Ele pediu estou te enviando".

E essa foi exatamente a foto da palavra que ela me mandou:


Eu que já estava chorando, numa hora dessas estava mergulhando no dilúvio das minhas lágrimas. Dobrei meu joelho no chão e pedi perdão a Deus pelo que eu estava fazendo. Liguei para o pai da minha filha na hora (assim aos prantos mesmo) e disse:

"Você nunca me pediu perdão, mas estou te ligando para dizer que te perdoo mesmo assim. Amanhã vou  encerrar o processo e quero que a partir de hoje possamos começar do zero. Tudo que aconteceu no passado vai ficar no passado e vamos seguir amigos, sempre pensando no melhor para nossa filha."

E assim foi feito. Entendem a dimensão que esse agir de Deus teve na minha vida? Eu poderia levar esse processo adiante e, de fato, fazer doer no bolso dele. Mas e aí? Isso ia realmente trazer paz ao meu coração? Isso ia realmente resolver as coisas? Ia valer a pena arrancar um dinheiro dele mas afastar o pai da minha filha ainda mais da convivência com ela? Com certeza não!
O que eu precisava fazer estava tão óbvio que não conseguia enxergar. O perdão liberta. Abri mão de tudo que poderia receber nesse processo e não me arrependo nem por um segundo de ter tomado essa decisão. Minha alma ficou leve e finalmente consegui olhar para frente, ao invés de ficar alimentando as mágoas do passado.

Hoje o meu relacionamento com o pai da minha filha é ótimo! Claro que de vez em quando discordamos e acabamos discutindo, mas somos amigos e, apesar de ele não morar em BH, quando nos encontramos saímos juntos, conversamos muito, brincamos com nossa filha... E quem ganha com isso? A Laura, claro!

O perdão não é um sentimento, é uma decisão. Se dependesse da minha vontade de perdoá-lo, provavelmente ainda estaríamos em guerra. Não é fácil desapegar do orgulho e da mágoa e simplesmente decidir perdoar. Mas depois que você dá o primeiro passo, o resto acontece sozinho.
Tudo que eu passei doeu muito. Só Deus sabe o quanto doeu. Chorei tanto... Mas foi pra Deus. Meu choro não teve platéia, afinal, a platéia muitas vezes é cheia só de curiosos que não ajudam em nada. Deus sim, Ele além de assistir o meu choro, me curou.

Eu só falei de alguns pontos negativos dele do passado porque acho muito bacana mostrar essa evolução. Não foi só eu que aprendi com tudo que passamos, ele também amadureceu muito e isso é lindo! Demorou mesmo para cair a ficha de que ele é pai e de todas as responsabilidades que esse "cargo" exige, mas hoje eu digo com todas as letras: ele é o melhor pai que minha filha poderia ter! Mesmo distante (ele mora em outra cidade), se faz presente. É responsável, preocupado, carinhoso... 
Eu nunca tive um bom relacionamento com meu pai, e isso sempre me fez tanta falta que eu passaria por tudo de novo se fosse preciso para que a minha filha e o pai dela tivessem a relação linda que eles têm hoje. Ver os dois juntos me emociona sempre. Minha filha tem o pai que ela merece e eu tenho um amigo para a vida toda, graças a Deus!




Obrigada, Senhor! Obrigada por ter me mostrado que eu não precisava de um juíz aqui na Terra, o meu juíz era o Senhor e a sentença era o perdão e o amor.
Que assim seja hoje e sempre. 


8 comentários:

  1. que história bonita! um belo exemplo para pais que se separam e vivem brigando. parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma história de superação viu... Não foi fácil, mas me orgulho dessa história! Obrigada pelo carinho! Bjss

      Excluir
  2. ������������
    Muito lindo seu testemunho! Eu fui uma das que já te perguntei rsrsrs obrigada por dividir sua história com a gente! Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que foi uma das que teve a resposta! kkkk Obrigada pelo carinho! Bjsss

      Excluir
  3. ​Também precisei engolir sapo e perdoar meu ex marido em nome do bom relacionamento entre nós por causa dos meus 2 filhos. Ainda bem que tivemos essa sabedoria, mas fácil realmente não é. PARABÉNS​

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ninguém disse que seria fácil né? Mas ainda bem que Deus nos fortalece! Obrigada pelo carinho! Bjsss

      Excluir